ahimsa

O que realmente significa não-violência

“Ahimsa é mais do que somente ausência de violência. Significa gentileza, amizade e consideração cuidadosa por outras pessoas e coisas.” T.K.V. Desikachar

Ahimsa é o primeiro dos yamas, ou preceitos morais e éticos do Yoga, relativos ao nosso comportamento com o mundo, os outros e conosco também, é claro. Para aqueles que seguem o Ashtanga Yoga de Patanjali, ou o yoga dos oito passos, sem a prática dos yamas, não é possível ascender para os passos seguintes.

O conceito se espalhou pelo mundo graças à figura de Gandhi. Muitas vezes, entretanto, tem seu significado reduzido a “não matar”, o que sem dúvida é verdade, porém dito assim torna-se extremamente simplista. A questão é que se entendermos ahimsa em seu sentido mais amplo, a prática torna-se muito mais difícil, pois requer um alto grau de disciplina e autocontrole. Mas é justamente essa prática que precisamos ter diariamente, não só em ação, como também em palavras e pensamentos.

Eis abaixo alguns pontos sobre como eu entendo que a prática de ahimsa deve acontecer no dia-a-dia, tanto interna quanto externamente.


não pense nem fale mal dos outros

Todos cometemos erros, inclusive você. Ao invés de ficar alimentando pensamentos negativos sobre uma pessoa, independente do que ela tenha feito, simplesmente perdoe.  É muito fácil acumular mágoas, difícil mesmo é mandar amor para aqueles que deliberadamente nos atacam e ofendem, com ou sem razão. O que os outros fazem, seja certo ou errado, cabe somente a elas. Lembre-se de quantas vezes você agiu errado na vida, e de como se sentiu quando soube que alguém estava te julgando pelas costas. Ou então, imagine alguém fazendo isso com uma pessoa que você ama.

não ofenda ninguém

Mesmo que você julgue que a pessoa esteja errada. Até porque talvez ela não esteja errada. Quando julgamos os outros precipitadamente, há uma grande chance de nossa visão estar embaçada e nós estarmos errados. Nenhum julgamento deve ser feito no calor da emoção, pois a emoção ofusca a visão e nos torna parciais. E isso torna as nossas ações desmedidas e injustas. Não mande palavras duras para ninguém, muito menos xingamentos. Você não tem ideia de qual é a extensão do dano que as suas palavras podem causar a uma pessoa. Se tiver que fazer um julgamento, ou corrigir alguém, faça com amor, assim como gostaria que fizessem com você. Garanto que as chances da pessoa te ouvir e entender serão muito maiores.

não alimente a raiva 

Todos nós sentimos raiva. O que diferencia uma pessoa violenta de uma pessoa pacífica é o que ela faz com essa raiva. O violento alimenta e rememora essa raiva, transformando-a em algo que a qualquer momento pode explodir. O pacífico reconhece a raiva mas não a alimenta. A pessoa não deve negar ou reprimir a raiva que sente ou o sentimento ruim que surge, pois isso seria uma grande violência contra si mesmo. No entanto, se for dar vazão a esse sentimento, nunca o direcione para outro ser, muito menos para o objeto da sua raiva. Com isso, o sentimento eventualmente irá embora sem maiores danos a você e aos outros.

não crie inimizades

Ao invés disso, crie uma barreira de proteção impenetrável. Caso seja ofendido, não ofenda de volta. Evite reagir por impulso diante de uma situação dessas. Pondere por alguns instantes o que a pessoa está dizendo, e se isso tem fundamento. Use essa situação a seu favor, e veja se pode tirar dela algum aprendizado. Se não, simplesmente ignore e perdoe. Não seja uma fonte de mais violência contra si mesmo. Ao invés de alimentar o rancor alheio, dando-lhes mais motivos para agredi-lo, apenas evite de se relacionar com essas pessoas além do estritamente necessário. Assim, o que elas poderão fazer?

perdoe sempre

Lembre-se que perdoar não é passar a mão na cabeça nem encobrir os maus atos dos outros, mas sim fazer com que aquele ciclo de ações acabe, no que depender de você. É saber que alguém errou, mas ainda assim não alimentar pensamentos ou sentimentos negativos em relação a ela. É difícil, pois exige muita coragem e força interior. Mais difícil ainda é quando o perdão deve ser direcionado a nós mesmos, pois implica também, além disso tudo, em reconhecer e assumir total responsabilidade por nossos atos.

A condição humana é imperfeita por natureza, mas devemos sim buscar a perfeição. Essa perfeição não deve ser uma meta etérea e distante, e sim uma prática diária. A perfeição não significa nunca errar, mas sim estar sempre vigilante, buscando a pureza e a verdade.

Ahimsa é só o começo. Fiquem com o que diz mantra védico a seguir:

लोकह् समस्तह्सुखिनोभवन्तु
Lokah samasta sukhino bhavantu
“Que todos os seres, em todos os lugares, sejam felizes e livres, e que os meus pensamentos, palavras e ações possam contribuir de alguma forma para a felicidade e a liberdade de todos.”

E você, como entende o conceito de não-violência?

Namastê :)

soteropolitana, estudante de vedanta, formada em design gráfico, criadora, autora e ilustradora do respire e seus yoginhos. acredita que ser feliz é coisa simples e que yoga é para todos.

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