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Sentir dor é mesmo inevitável?

A dor é um mecanismo do corpo que te avisa que uma dessas duas coisas está acontecendo: algo está errado ou algo está mudando.

Entretanto, embora seja palpável, dor também é um conceito muito relativo. Algumas pessoas são muito sensíveis e já tomam qualquer desconforto como dor. Outras têm uma capacidade maior de suportar desconfortos, chegando às vezes a tomar fortes dores como tais. 

Nesse post pretendo falar sobre dores físicas e a prática de asanas, embora o aspecto mental, emocional e psicológico também desempenhe um grande papel nesse processo. Tudo está interligado!

Como já disse o saudoso mestre Iyengar em seu livro Luz na Vida:
”Como a dor é inevitável, asana é um laboratório no qual descobrimos como tolerar a dor que não pode ser evitada e como transformar a dor que pode. Embora nós não busquemos ativamente a dor, nós não fugimos da dor inevitável, parte de todo crescimento e de toda mudança.” 

Com a prática, aprendemos não só a transformar a dor como a distinguir entre dois tipos principais de dores: as de crescimento (ou inevitáveis) e as de regressão.

Quais são as dores de crescimento (ou inevitáveis)? Geralmente elas não são de fato dores, mas sim desconfortos que nós não queremos enfrentar ou não conseguimos suportar por muito tempo. As dores musculares de alongamento e força geralmente são dores de crescimento e expansão, e geralmente persistem apenas no momento da prática. São desconfortos aos quais muitas pessoas geralmente têm baixa tolerância, mas são justamente aquelas que deveriam enfrentar.

Muitas vezes desistimos de enfrentar o esforço porque não estamos prontos para ele. Tudo bem, não devemos forçar a natureza, pelo menos não de uma vez. Mas saiba que a transformação acontece aos poucos, e que somente enfrentando as suas limitações é que será possível superá-las.


sthira sukham asanam” (yoga sutra 2:46)
Um dos sutras mais conhecidos de Patanjali diz que deve-se manter uma postura firme e confortável. Ou seja, em toda postura (assim como na vida) deve existir equilíbrio entre esforço consciente e um certo relaxamento. Isso significa que não deve haver sofrimento durante a prática. Acredito que devemos encarar as dores de crescimento com tranquilidade, sempre respirando e cuidando para não ultrapassar os limites. Respiração encurtada ou presa, por exemplo, é um claro indicador de que você está se esforçando além do limite e precisa retroceder um pouco.

Sempre comece qualquer postura num lugar mais fácil, e, enquanto respira, aos poucos vá aumentando a intensidade e acrescentando esforço, à medida em que for se sentindo mais confiante. Dessa forma você evita a fadiga e vai aumentando o seu limite de forma consciente e inteligente.

E as dores de regressão? São aquelas que querem dizer que algo está errado. São as dores articulares, por exemplo. Joelhos, cotovelos, cervical, lombar etc. Elas aparecem quando você se esforça além do seu limite. Essas muitas vezes continuam mesmo depois de você já ter terminado a prática.

Quando eu comecei a praticar, por exemplo, nas primeiras semanas sentia dor nos cotovelos, mesmo quando não estava praticando. Uma dor incômoda e aguda quando movia o braço de determinadas formas. Isso estava acontecendo porque eu estava forçando a articulação, porque queria estar em um lugar que não me pertencia no momento.

Logo eu aprendi algumas lições e a dor sumiu em pouco tempo. Mas muitas pessoas se lesionam praticando yoga porque ignoram os avisos do corpo e querem avançar além do próprio limite, em busca de alcançar algo diferente do propósito da prática, que é a união entre corpo, mente, respiração e consciência no presente. Portanto, não ignore os avisos do seu corpo. Aceite o lugar que te pertence naquele momento. Aceitar não é se resignar. Pelo contrário: é reconhecer o seu limite e saber que somente através do esforço dedicado e inteligente é possível expandir-se.

 

Portanto, ouça e obedeça o seu corpo. Ao contrário do que se diz por aí, não é somente sofrendo que se aprende. É possível sim crescer sem dor. Vá sempre até onde é relativamente confortável para você, esforçando-se na medida certa e cada vez mais, porém sem perder a serenidade.  :)

Namastê!

 

soteropolitana, estudante de vedanta, formada em design gráfico, criadora, autora e ilustradora do respire e seus yoginhos. acredita que ser feliz é coisa simples e que yoga é para todos.

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