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Uttanasana, humildade e compaixão

Uttanasana tem sido uma das minhas posturas favoritas ultimamente. Tenho permanecido nela por vários minutos e percebido o quão extraordinária ela é em muitos aspectos, sobretudo no nível sutil. Claro que para isso, as atitudes corporais corretas são fundamentais, além da respiração.

compaixão
Toda flexão à frente trabalha a capacidade de curvar-se. Uttanasana, ou postura da intensa flexão à frente, não poderia ser diferente. A ajudinha extra que recebemos da força da gravidade faz com que essa postura seja uma das mais intensas deste grupo.

Flexionar para frente com suavidade e fluidez é uma capacidade que depende da flexibilidade na região lombar. E maleabilidade na lombar significa maleabilidade para lidar com questões emocionais básicas. Nossos relacionamentos, nossa energia sexual, nossa relação com o sustento e a sobrevivência. Problemas com essas questões quase sempre somatizam em forma de encurtamentos ou problemas na lombar. Por isso é importantíssimo trabalhar a flexibilidade e o fortalecimento desta região.

Para começar, porém, é preciso entender que somos todos seres humanos falhos e cheios de questões muitas vezes desconhecidas até por nós mesmos. Por isso, não se julgue de forma tão dura! Não pense que você deveria mudar ou ser de outro jeito. Você é exatamente como deveria ser. Precisa sim aperfeiçoar algumas coisinhas, como todo mundo, mas apesar disso tudo está bem. A alegria está no caminho, não no destino! A compaixão com o outro só se manifesta quando ela está desperta primeiro em direção a nós mesmos. Tudo faz parte de uma grande rede onde a distância é pura ilusão.

humildade
Embora o alongamento das pernas seja uma parte importante da postura, a integridade da coluna é ainda mais. A permanência na postura nos permite reconhecer quando é que precisamos abrir mão de uma coisa para priorizar outra. Exemplo: às vezes precisamos manter os joelhos flexionados para que a nossa coluna permaneça confortável e pronta para relaxar e avançar um pouco mais.

Precisamos desconstruir a ideia de que o nosso corpo precisa chegar a tal forma e aceitá-lo como ele é hoje. Aos poucos, no seu tempo, ele vai mudando, de acordo com o seu esforço, dedicação e paciência. As mudanças em nós só ocorrem quando existe santosha, ou contentamento. Caso contrário existe tensão desnecessária, o que nos impede de enxergar claramente as nossas próprias capacidades.

O oxigênio que você respira hoje é o mesmo que existe desde o tempo em que a vida estava começando a surgir neste planeta. Todos os seus antepassados, todos os seres que vieram antes de você e que virão vão respirar esse mesmo ar com estes mesmos átomos. Como não se curvar diante da vida tendo em mente essa realização? Isso tudo é muito maior do que nós, e ao mesmo tempo nós somos esse todo. Portanto, aceite o seu lugar no mundo, curve-se diante da vida, e sinta como tudo flui de forma mais simples e relaxada. :)

Namastê!

soteropolitana, estudante de vedanta, formada em design gráfico, criadora, autora e ilustradora do respire e seus yoginhos. acredita que ser feliz é coisa simples e que yoga é para todos.

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